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CLV: a única métrica que diz alguma coisa antes de 1.000 apostas

O teu ROI ao fim de 200 apostas não prova nada. A tua distância à closing line prova — desde que a meças corretamente.

Um apostador com +8% de ROI em 200 apostas e um apostador com -3% nas mesmas 200 apostas podem ter exatamente o mesmo edge. Nesta dimensão de amostra, a variância domina tudo. Este é o problema central das apostas desportivas: o sinal que queres medir é muito menor do que o ruído à sua volta.

O closing line value (CLV) contorna o problema. Em vez de esperar que os resultados convirjam, mede se conseguiste um preço melhor do que o mercado no seu fecho — o momento em que o mercado está mais bem informado.

A fórmula

CLV = (preço apostado / preço de fecho − 1) × 100. Apostas um moneyline a 2,10 e fecha a 2,00: o teu CLV é +5%. Compraste algo que o mercado depois reavaliou a teu favor.

def clv_pct(bet_price: float, closing_price: float) -> float:
    return (bet_price / closing_price - 1) * 100

clv_pct(2.10, 2.00)   # +5.00 %
clv_pct(1.90, 2.00)   # -5.00 %

Um CLV médio positivo e estável ao longo de algumas centenas de apostas é um indicador de edge muito mais fiável do que um ROI positivo na mesma amostra. Converge mais depressa porque não depende de como o jogo terminou.

Fecho contra o quê? (é aqui que se ganha ou se perde)

Medir o CLV contra o fecho de uma casa branda não vale nada: essa casa limita-se a seguir, tarde e com uma margem gorda. A tua referência tem de ser uma casa que faz o mercado — é por isso que o fecho da Pinnacle é o padrão de facto, tanto na literatura como entre apostadores sérios.

  • Usa o fecho do mesmo mercado, do mesmo período e da MESMA linha. Um handicap de -0,5 e um de -1 não são comparáveis.
  • Ou fazes devig aos dois lados, ou a nenhum — mas mantém uma regra fixa. Comparar um preço bruto apostado com um fecho já com devig cria um CLV negativo artificial de cerca de metade do overround.
  • Usa o último preço antes do início do jogo, não o preço "por volta da hora do jogo". As linhas ainda se movem muito nos últimos dez minutos.

Armadilha clássica: medir o CLV contra o fecho da própria casa onde apostaste. Se apostares numa casa branda que fecha com uma linha larga, o teu CLV vai parecer excelente quando tudo o que fizeste foi obter um preço menos mau do que outro preço mau.

O que o CLV não te diz

O CLV mede a qualidade dos teus preços, não a tua rentabilidade. Há três lacunas que aparecem regularmente entre um bom CLV e uma conta a crescer:

  1. Limites: +4% de CLV em stakes de 20€ que a casa não te deixa escalar para 200€ não paga as contas.
  2. Seleção: se só apostas quando o preço ainda está aberto, estás a colher CLV nos mercados menos líquidos — precisamente onde o próprio fecho é menos fiável.
  3. Vig pago: um CLV bruto de +3% numa casa que cobra 6% de margem ainda pode ser uma perda líquida real.

Inversamente, um CLV persistentemente negativo ao lado de um ROI positivo é um alarme, não um sucesso: tiveste sorte, e o mercado está a dizer-te que os teus preços eram maus.

Automatizar isto

A parte penosa não é a fórmula, é ter o fecho certo para a linha certa meses depois — e um fecho em que possas confiar. É para isso que serve o endpoint de fecho da apinn: devolve o último tick antes do apito inicial para cada linha, já sem vig, e não segundo um modelo mas segundo os cinco. A fórmula, depois, é uma divisão que fazes tu.

curl -H "X-API-Key: $APINN_KEY" \
  "https://api.apinn.io/api/closing?event_id=1610000123"

# → [{ "market": "moneyline", "period": 0, "odds1": 1.45, "odds2": 2.80,
#      "true_odds_by_model": {
#        "power":          { "todds1": 1.4922, "todds2": 3.0317 },
#        "multiplicative": { "todds1": 1.5179, "todds2": 2.9310 },
#        "additive":       { "todds1": 1.5009, "todds2": 2.9963 },
#        "shin":           { "todds1": 1.5009, "todds2": 2.9963 },
#        "odds_ratio":     { "todds1": 1.5000, "todds2": 3.0000 } } }]

# home taken at 1.50  →  1.50 / 1.4922 - 1 = +0.52 %   (power)

Não é um detalhe. Num mercado desequilibrado os modelos divergem o suficiente para inverter o sinal do teu CLV: a aposta acima vale +0,52 % com power e −1,18 % com multiplicative. Por isso servimos os cinco em vez de escolher um por ti — usa o que o teu próprio modelo de preços já usa, e mantém-no.

Para uma auditoria retrospetiva completa, os endpoints de abertura e fecho dão-te as duas pontas do movimento, linha a linha. Esse par também é a forma mais simples de detetar mercados onde é o momento da tua entrada, e não o teu modelo, que está a determinar os teus resultados.

Bater o fecho não garante que ganhas. Não o bater praticamente garante que perdes, dado um horizonte suficientemente longo.

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